sábado, 8 de janeiro de 2011

Mesada dá lição de controle para os filhos


Pequenos passam a ter noção de valor e melhoram auto-estima

As vontades das crianças parecem não ter fim. Depois de ganhar o que tanto pediram, o foco do desejo se volta para novas aquisições. Cansado de tanta insistência, você decide estipular uma remuneração mensal aos seus filhos. Mas será que o famoso método da mesada é o mais apropriado para impor limites às crianças?

O psiquiatra infantil da Unifesp, Marcelo Fernandes, diz que estipular valores em dinheiro para dar aos pequenos é uma medida eficaz. Eles passam a desenvolver a consciência de que não é possível ter tudo e a dar mais valor para as coisas que conquistam , explica o especialista.

Ainda de acordo com Marcelo, a mesada também melhora a auto-estima das crianças. Elas encaram a mesada como uma responsabilidade dada pelos pais e se esforçam para administrar as próprias despesas , afirma

Poupar dinheiro, abrindo mão dos gastos imediatos, é outra lição aprendida. Maneirar no lanche da escola, por exemplo, pode render o dinheiro necessário para um novo game , exemplifica o psiquiatra.

Acerte na tática

Tantas vantagens, no entanto, só aparecem quando os pais aliam a mesada a conversas que abordam o assunto. Sem dúvida é uma lição de amadurecimento, mas precisa ser tratada com responsabilidade também pelos pais , ressalta Marcelo. O especialista da Unifesp diz que é preciso deixar claro para os filhos o motivo de eles estarem recebendo uma quantia em dinheiro e ensinar como eles devem gerenciá-la.

Mostre em quais situações a criança tem autonomia para usar o próprio dinheiro, seja nas horas de lazer, no lanche da escola ou na aquisição de bens materiais pequenos . O aprendizado também depende da idade da criança. Segundo Marcelo Fernandes, não existe uma faixa etária ideal para começar a receber mesada, mas é importante a criança entender o valor monetário das coisas. "Isso é muito individual, mas, normalmente, a noção de dinheiro aparece por volta dos dez anos".


Quanto à quantia dada aos filhos, ela deve ser adequada ao padrão da família e baseada nos hábitos da criança. É importante tomar cuidado com valores muito altos. A criança pode não criar responsabilidade sobre o dinheiro, quando a quantia que recebe é suficiente para comprar tudo que ela deseja , esclarece o psiquiatra.

Segundo o especialista da Unifesp, mais uma tática para não errar no método da mesada é dividir a quantia do mês em semanas. A criança está aprendendo a lidar com o próprio dinheiro. Ganhando valores semanais, tem uma idéia melhor de como controlar os gastos. O dinheiro do mês todo pode causar confusão e fazer com que ela gaste tudo de uma vez só , dá mais um conselho.

Caso a mesada da criança acabe antes do esperado, nada de desembolsar uma quantia extra. A lição, neste caso, é que, no mês seguinte, ela terá que prestar mais atenção nos gastos. Os pais precisam direcionar as lições da mesada, explicando porque o tropeço do filho aconteceu , lembra Marcelo.

O valor pode ser mudado quando o aumento é previamente estipulado ou quando alguns hábitos da criança mudam. O especialista explica: se preferir estabelecer mesadas anuais, conte à criança que, a cada aniversário, o valor vai sofrer um ajuste. Conforme ela for ficando mais velha, os hábitos também vão mudando e as necessidades aumentam. Aí sim aumentar o valor é aconselhável .



http://minhavida.uol.com.br/conteudo/1817-Mesada-da-licao-de-controle-para-os-filhos.htm


Dinheiro: 5 coisas que você e seu filho devem saber


Especialistas ensinam como seu filho pode aprender a lidar melhor com a mesada, a poupança e os desejos de consumo

Clarissa Passos, iG São Paulo


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Foto: Getty Images

Para ensinar seu filho a fazer bom uso do dinheiro, você também deve saber poupar e fazer boas compras

1. Para ensinar seu filho a administrar o dinheiro, primeiro você precisa saber lidar com ele

Você tem controle sobre suas contas? Sabe onde gasta seu salário? Tem uma poupança ou outro investimento? Educação financeira não está no currículo escolar. Portanto, assim como a educação de valores morais, ensinar a administrar o dinheiro é tarefa dos pais - que, para isso, devem saber como cuidar das suas próprias contas. Fazer planilhas de gastos mensais, não acumular dívidas e poupar dinheiro para situações de emergência são bons exemplos financeiros para você dar ao seu filho.



"Não dá para por as crianças nos trilhos se os pais nao conseguem cuidar das próprias finanças", alerta Reinaldo Domingos, educador financeiro, autor dos livros "O Menino do Dinheiro" e "Terapia Financeira" (Editora Gente) e pai de dois filhos adolescentes. Especialistas recomendam uma reunião mensal para se falar de dinheiro, colocando no papel quanto se ganha e quanto se gasta na casa.



2. Mais importante do que dar mesada é controlá-la com seu filho

Dar mesada ou semanada de qualquer valor sem controlar os gastos da criança é o mesmo que jogar dinheiro no lixo. "Mesada não é um dinheiro da criança. É um dinheiro da família, que ela ganha o direito de administrar", defende Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor de vários livros, entre eles "Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos" (Editora Gente).



Uma maneira prática de fazer o controle é dar à criança uma caderneta, onde ela deve anotar todos os gastos. Ao fim do mês ou da semana, vocês somam os valores e verificam para onde o dinhero está indo. Com os registros concretos, é a hora ideal para orientá-la sobre os gastos - especialmente se o dinheiro do mês ou da semana não deu. É preciso ser firme nos limites: se a criança gastou mais do que devia, vai ter de levar lanche de casa, esperar o mês seguinte para comprar a mochila nova que queria ou pagar a diferença nas próximas mesadas.



3. Antes de aprender a poupar, a criança aprende a consumir

Observe seus hábitos. Das últimas dez compras que fez, quantas eram realmente necessárias? Quantas foram caprichos? De quantas você se arrependeu? Com a cultura do consumismo a todo vapor na televisão, na internet e entre os colegas da escola, os pais precisam mais uma vez dar o exemplo.

"Adultos que compram de tudo são exemplos ruins para as crianças. Se a mãe ou o pai são descontrolados, esse é o modelo que a criança vai copiar", alerta João Batista Sundfeld, economista, professor, consultor e assessor financeiro. E não precisa atender a cada apelo da criança de imediato. "Tem que negociar. Se não é conveniente dar o que eles pedem, combine: 'no seu aniversário você ganha', 'você já tem esse'", ensina.



4. A criança pode - e deve - mexer com dinheiro antes mesmo de aprender a fazer contas

Ter uma poupança em nome do seu filho, destinada a um projeto importante do futuro dele - como uma faculdade ou uma viagem de estudos - é uma maneira de mostrar à criança que poupar tem uma recompensa. "Ela precisa entender que o dinheiro que vai sobrar é para realizar sonhos, e ele só vai sobrar se pouparmos", ensina Reinaldo.

Guardar moedas num cofrinho e manipular o dinheiro na hora de pagar a compra no mercado ou na padaria, sob supervisão dos pais, também são boas ideias. "O ideal é que a criança veja as finanças como algo natural. Jogos ou brincadeiras que lidam com dinheiro, por exemplo, também podem ajudar", diz Gustavo.



5. Educação financeira é um trabalho contínuo - e concreto

Não adianta chamar a atenção do seu filho depois que ele vem pedir dinheiro para o lanche porque gastou todo a mesada em um novo estojo incrível e absolutamente desnecessário. "Não pode falar de dinheiro como sermão. A educação financeira se faz no cotidiano, com conversas de dia a dia", recomenda Gustavo.

E é preciso tomar cuidado, porque é mais fácil desembolsar outros R$ 5 diante do pedido do que tomar a iniciativa de uma conversa mais séria. Mas o investimento na educação vale a pena. "Uma criança que aprende a mexer com dinheiro se torna um adulto mais responsável - e mais feliz", acredita João.


http://delas.ig.com.br/filhos/dinheiro+5+coisas+que+voce+e+seu+filho+devem+saber/n1237545626471.html


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