Diretrizes, Princípios e Objetivos
O conceito de cidadania está estritamente ligado ao conceito de democracia, porque não há cidadãos em organizações sociais autoritárias.
Quando nos referimos à Educação Inclusiva, sub-entende-se que o conceito da Inclusão Social esteja implícito e interligado ao conceito de Educação.
A escola precisa:
Levar em consideração a estrutura e a dinâmica social em que vivem os alunos, a fim de que realmente este seja o espaço de formação da pessoa para o exercício efetivo da cidadania.
Criar condições para as pessoas se tornarem cidadãs, não só no sentido da garantia dos direitos iguais, que eqüalizam a todos numa mesma dimensão de necessidades, mas também dos direitos diferentes, porque as pessoas têm necessidades diferentes.
Precisamos construir uma escola com novos paradigmas, que:
valorize as diferenças;
valorize o professor;
potencialize a aprendizagem do aluno;
o processo de avaliação seja sempre formativo; considere a singularidade e os tempos para as aprendizagens de cada um;
valorize as relações inter e intrapessoais nos processos da construção de conhecimentos.
O currículo escolar deve estar organizado para orientar e direcionar as diferentes etapas e modalidades de ensino, seja da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos, Ensino Médio e Educação Profissional.
Este princípio implica na inserção de todos, sem distinção de condições lingüísticas, sensoriais, cognitivas, físicas, emocionais, étnicas, socioeconômicas ou outras, e requer sistemas educacionais planejados e organizados que considere a diversidade dos alunos e ofereçam respostas adequadas às suas características e necessidades. (Declaração de Salamanca, 1994)
Um currículo que:
• Considere uma gestão democrática e participativa a forma de todos se implicarem na Educação;
• Tenha como princípios o humanismo e a dignidade, e que reconheça o outro na perspectiva da igualdade na diversidade criando espaços de justiça e solidariedade.
• Acolha a todas as diferenças sócio-culturais que constituem os sujeitos históricos e que favoreça o desenvolvimento cognitivo dos alunos;
• Valorize os conhecimentos prévios dos alunos e considere as diferentes linguagens presentes no mundo e, aquelas trazidas pelos alunos como eixos articuladores que permeiam as interações dos sujeitos;
• Desenvolva a prática da leitura e da escrita em situação verbal real e contextualizada.
CURRÍCULO ESCOLAR
Na concepção, o currículo é construído a partir do projeto pedagógico da escola, sua viabilização e implicação, é orientar as atividades educativas, as formas de executá-las e definindo suas finalidades. Assim, pode ser visto como um guia sugerido sobre o que, quando e como ensinar; o que, como e quando avaliar.
Essa concepção coloca em destaque a adequação curricular como um elemento dinâmico da educação para todos e sua viabilização para os alunos com necessidades educacionais especiais: não se fixar no que de especial possa ter a educação dos alunos, mas flexibilizar a prática educacional para atender a todos e propiciar seu progresso em função de suas possibilidades e diferenças individuais.
Pensar em adequação curricular significa considerar o cotidiano das escolas, levando-se em conta as necessidades e capacidades dos seus alunos e os valores que orientam a prática pedagógica. Para os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais essas questões têm um significado particularmente importante.
“O currículo, em qualquer processo de escolarização, transforma-se na síntese básica da educação. Isto nos possibilita afirmar que a busca da construção curricular deve ser entendida como aquela garantida na própria LDBEN, complementada, quando necessário, com atividades que possibilitem ao aluno que apresenta necessidades educacionais especiais ter acesso ao ensino, à cultura, ao exercício da cidadania e à inserção social produtiva”.Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica do Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2001.
“Os currículos devem ter uma base nacional comum, conforme determinam os Artigos 26,27 e 32 da LDBEN, a ser suplementada ou complementada por uma parte diversificada, exigida, inclusive, pelas características dos alunos”.
As dificuldades de aprendizagem na escola apresentam-se como um contínuo, compreendendo desde situações mais simples e/ou transitórias-que podem ser resolvidas espontaneamente no curso do trabalho pedagógico-até situações mais complexas e ou permanentes – que requerem o uso de recursos técnicas especiais para que seja viabilizado o acesso ao currículo por parte do educando. Atender a esse contínuo de dificuldades requer respostas educativas adequadas, que abrangem graduais e progressivas adaptações de acesso ao currículo, bem como adaptações de seus elementos.( Diretrizes.....)
CURRÍCULO ESCOLAR
Nessa concepção, o currículo é construído a partir do projeto pedagógico da escola e viabiliza a sua operacionalização, orientando as atividades educativas,
as formas de executá-las e definindo suas finalidades. Assim, pode ser visto como um guia sugerido sobre o que, quando e como ensinar; o que, como e
quando avaliar.
Essa concepção coloca em destaque a adequação curricular como um elemento
dinâmico da educação para todos e a sua viabilização para os alunos com
necessidades educacionais especiais: não se fixar no que de especial possa ter a
educação dos alunos, mas flexibilizar a prática educacional para atender a todos
e propiciar seu progresso em função de suas possibilidades e diferenças
individuais.
Pensar em adequação curricular significa considerar o cotidiano das escolas,
levando-se em conta as necessidades e capacidades dos seus alunos e os valores
que orientam a prática pedagógica. Para os alunos que apresentam necessidades
educacionais especiais essas questões têm um significado particularmente
importante.
ADEQUAÇÕES CURRICULARES
As manifestações de dificuldades de aprendizagem na escola apresentam-se
como um contínuo, desde situações leves e transitórias que podem se resolver
espontaneamente no curso do trabalho pedagógico até situações mais graves e
persistentes que requerem o uso de recursos especiais para a sua solução. Atender
a esse contínuo de dificuldades requer respostas educacionais adequadas
envolvendo graduais e progressivas adequações do currículo.
As adequações curriculares constituem, pois, possibilidades educacionais de
atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos. Pressupõem que se
realize a adequação do currículo regular, quando necessário, para torná-lo
apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. Não um
novo currículo, mas um currículo dinâmico, alterável, passível de ampliação,
para que atenda realmente a todos os educandos. Nessas circunstâncias, as
adequações curriculares implicam a planificação pedagógica e a ações docentes
fundamentadas em critérios que definem:
o que o aluno deve aprender;
como e quando aprender;
que formas de organização do ensino são mais eficientes para o processo de
aprendizagem;
como e quando avaliar o aluno.
As necessidades especiais revelam que tipos de ajuda, diferentes dos usuais, são
requeridos, de modo a cumprir as finalidades da educação. As respostas a essas
necessidades devem estar previstas e respaldadas no projeto pedagógico da escola,
não por meio de um currículo novo, mas, da adequação progressiva do regular,
buscando garantir que os alunos com necessidades especiais participem de uma
programação tão normal quanto possível, mas considere as especificidades que
as suas necessidades possam requerer.
O currículo, nessa visão, é um instrumento útil, uma ferramenta que pode ser
alterada para beneficiar o desenvolvimento pessoal e social dos alunos,
resultando em alterações que podem ser de maior ou menor expressividade.
As adequações curriculares no nível do projeto pedagógico devem focalizar,
principalmente, a organização escolar e os serviços de apoio. Elas devem
propiciar condições estruturais para que possam ocorrer no nível da sala de
aula e no nível individual, caso seja necessária uma programação específica
para o aluno.
Essas medidas podem se concretizar nas seguintes situações ilustrativas:
a escola flexibiliza os critérios e os procedimentos pedagógicos levando em
conta a diversidade dos seus alunos;
o contexto escolar permite discussões e propicia medidas diferenciadas
metodológicas e de avaliação e promoção que contemplam as diferenças
individuais dos alunos;
a escola favorece e estimula a diversificação de técnicas, procedimentos e
estratégias de ensino, de modo que ajuste o processo de ensino e aprendizagem
às características, potencialidades e capacidades dos alunos;
a comunidade escolar realiza avaliações do contexto que interferem no
processo pedagógico;
a escola assume a responsabilidade na identificação e avaliação diagnóstica
dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, com o apoio
dos setores do sistema e outras articulações;
a escola elabora documentos informativos mais completos e elucidativos;
a escola define objetivos gerais levando em conta a diversidade dos alunos;
o currículo escolar flexibiliza a priorização, a seqüenciação e a eliminação
de objetivos específicos, para atender às diferenças individuais.
As decisões curriculares devem envolver a equipe da escola
para realizar a avaliação, a identificação das necessidades
especiais e providenciar o apoio correspondente para o professor
e o aluno. Devem reduzir ao mínimo, transferir as responsabilidades
de atendimento para profissionais fora do âmbito escolar ou exigir recursos
externos à escola.
ESTRATÉGIAS PARA A EDUCAÇÃO DE ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
ADEQUAÇÕES RELATIVAS AO CURRÍCULO DA CLASSE
As medidas desse nível são realizadas pelo professor e destinam-se,
principalmente, à programação das atividades da sala de aula. Focalizam a
organização e os procedimentos didático-pedagógicos e destacam o como fazer,
a organização temporal dos componentes e dos conteúdos curriculares e a
coordenação das atividades docentes, de modo que favoreça a efetiva
participação e integração do aluno, bem como a sua aprendizagem.
Os procedimentos de adequação curricular destinados à classe devem constar
na programação de aula do professor e podem ser exemplificados nos seguintes
exemplos ilustrativos:
a relação professor/aluno considera as dificuldades de comunicação do
aluno, inclusive a necessidade que alguns têm de utilizar sistemas
alternativos (língua de sinais, sistema braille, sistema bliss ou similares etc.);
a relação entre colegas é marcada por atitudes positivas;
os alunos são agrupados de modo que favoreça as relações sociais e o processo
de ensino e aprendizagem;
o trabalho do professor da sala de aula e dos professores de apoio ou outros
profissionais envolvidos é realizado de forma cooperativa, interativa e bem
definida do ponto de vista de papéis, competência e coordenação;
a organização do espaço e dos aspectos físicos da sala de aula considera a
funcionalidade, a boa utilização e a otimização desses recursos;
a seleção, a adequação e a utilização dos recursos materiais, equipamentos
e mobiliários realizam-se de modo que favoreça a aprendizagem de todos
os alunos;
a organização do tempo é feita considerando os serviços de apoio ao aluno
e o respeito ao ritmo próprio de aprendizagem e desempenho de cada um;
a avaliação é flexível de modo que considere a diversificação de critérios, de
instrumentos, procedimentos e leve em conta diferentes situações de ensino
e aprendizagem e condições individuais dos alunos;
as metodologias, as atividades e procedimentos de ensino são organizados e
realizados levando-se em conta o nível de compreensão e a motivação dos
alunos; os sistemas de comunicação que utilizam, favorecendo a experiência,
a participação e o estímulo à expressão;
o planejamento é organizado de modo que contenha atividades amplas com
diferentes níveis de dificuldades e de realização;
as atividades são realizadas de várias formas, com diferentes tipos de
execução, envolvendo situações individuais e grupais, cooperativamente,
favorecendo comportamentos de ajuda mútua;
os objetivos são acrescentados, eliminados ou adequados de modo que
atenda às peculiaridades individuais e grupais na sala de aula.
As adequações no nível da sala de aula visam a tornar possível a real participação
do aluno e a sua aprendizagem eficiente no ambiente da escola regular.
Consideram, inclusive, a organização do tempo de modo a incluir as atividades
destinadas ao atendimento especializado fora do horário normal de aula, muitas
vezes necessários e indispensáveis ao aluno.
Alguns aspectos devem ser previamente considerados para se identificar a
necessidade das adequações curriculares, em qualquer nível:
a real necessidade dessas adequações;
a avaliação do nível de competência curricular do aluno, tendo como
referência o currículo regular;
o respeito ao seu caráter processual, de modo que permita alterações
constantes e graduais nas tomadas de decisão.
Além da classificação, por níveis, essas medidas podem se distinguir em duas
categorias: adequações de acesso ao currículo e nos elementos curriculares.
Correspondem ao conjunto de modificações nos elementos físicos e materiais
do ensino, bem como aos recursos pessoais do professor quanto ao seu preparo
para trabalhar com os alunos. São definidas como alterações ou recursos espaciais, materiais ou de comunicação que venham a facilitar os alunos com
necessidades educacionais especiais a desenvolver o currículo escolar.
ADEQUAÇÕES NOS ELEMENTOS CURRICULARES
Focalizam as formas de ensinar e avaliar, bem como os conteúdos a serem
ministrados, considerando a temporalidade. São definidas como alterações
realizadas nos objetivos, conteúdos, critérios e procedimentos de avaliação,
atividades e metodologias para atender às diferenças individuais dos alunos.
Diversificação curricular
Alguns alunos com necessidades especiais revelam não conseguir atingir os
objetivos, conteúdos e componentes propostos no currículo regular ou alcançar
os níveis mais elementares de escolarização. Essa situação pode decorrer de
dificuldades orgânicas associadas a déficits permanentes e, muitas vezes,
degenerativos que comprometem o funcionamento cognitivo, psíquico e
sensorial, vindo a constituir deficiências múltiplas graves.
Nessas circunstâncias, verifica-se a necessidade de realizar adequações
significativas no currículo para o atendimento dos alunos e indicar conteúdos
curriculares de caráter mais funcional e prático, levando em conta as suas
características individuais.
Alguns programas, devido à expressividade das adequações curriculares
efetuadas, podem ser encarados como currículos especiais. Comumente
envolvem atividades relacionadas ao desenvolvimento de habilidades básicas;
à consciência de si; aos cuidados pessoais e de vida diária; ao treinamento
multissensorial; ao exercício da independência e ao relacionamento interpessoal,
dentre outras habilidades . Esses currículos são conhecidos como funcionais e
ecológicos e sua organização não leva em conta as aprendizagens acadêmicas
que o aluno revelar impossibilidade de alcançar, mesmo diante dos esforços
persistentes empreendidos pela escola.
Currículos adequados ou elaborados de modo tão distinto dos regulares
implicam adequações significativas extremas, adotadas em situações de real
impedimento do aluno para integrar-se aos procedimentos e expectativas
comuns de ensino, em face de suas condições pessoais identificadas.
A elaboração e a execução de um programa dessa natureza devem contar com
a participação da família e ser acompanhadas de um criterioso e sistemático
processo de avaliação pedagógica e psicopedagógica do aluno, bem como da
eficiência dos procedimentos pedagógicos empregados na sua educação.
Sistemas de Apoio
Pode-se definir apoio como recursos e estratégias que promovem o interesse e
as capacidades da pessoa, bem como oportunidades de acesso a bens e serviços, como recursos humanos e materiais.
Avaliação e promoção
O processo avaliativo é de suma importância em todos os âmbitos do processo
educacional para nortear as decisões pedagógicas e retroalimentá-las, exercendo
um papel essencial nas adequações curriculares e deve envolver a comunidade escolar, o ambiente familiar e sócio-cultural, o contexto educacional.
Quanto à promoção dos alunos que apresentam necessidades especiais, o
processo avaliativo deve seguir os critérios adotados para todos os demais ou
adotar adequações, quando necessário.
REFLEXÕES ACERCA DO CURRÍCULO
A atual situação em que se encontram os sistemas educacionais revela
dificuldades para atender às necessidades especiais dos alunos na escola regular,
principalmente dos que apresentam superdotação, deficiências ou condutas
típicas de síndromes, que podem vir a necessitar de apoio para a sua educação.
A flexibilidade e a dinamicidade do currículo regular podem não ser suficientes
para superar as restrições do sistema educacional ou compensar as limitações
reais desses alunos. Desse modo e nas atuais circunstâncias, entende-se que as
adequações curriculares fazem-se, ainda, necessárias.
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