segunda-feira, 15 de março de 2010

Lavai as mãos

Lavai as mãos!

Dr Drauzio Varella

Através delas transmitimos as piores infecções.De todas as recomendações maternas, a de lavar as mãos talvez seja a mais desobedecida. Parece pirraça.

Na agitação de hoje, lavar as mãos antes de pegar nos alimentos virou luxo, esquisitice de gente cismada, mania de hipocondríaco. É só entrar numa lanchonete da cidade, botequim de bairro ou restaurante caro e contar quantos tomam tal precaução higiênica antes de atacar o hambúrguer, a batata frita ou o pãozinho com patê. Na hora das refeições, a mão suja é universal, irmana trabalhadores braçais, moças bonitas e senhores de gravata.

No entanto, se todos lavassem as mãos com água e sabão (qualquer sabão) antes de manipular os alimentos muitas doenças seriam evitadas. Perderíamos o medo de comer empadinha em padaria, pastel de feira, espetinho de camarão na praia e os tradicionais salgadinhos expostos em todos os bares brasileiros, que a religiosidade do povo houve por bem batizar de "Jesus me chama".

Nada ilustra melhor a eficiência das mãos na disseminação de infecções do que as gripes e resfriados. A pessoa chega na festa e avisa: "Não me beijem que estou gripada", e sai apertando a mão de todos os convidados. Seria muito melhor que desse o rosto a beijar; na face o vírus não está. Em compensação, as mãos estão repletas dele: quem fica gripado assoa e coça o nariz o tempo todo. Como conseqüência, os incautos que apertaram a mão infestada, ao coçar o nariz ou os olhos semearão as partículas virais diretamente nas mucosas.

É possível que sejamos tão renitentes em lavar as mãos porque vírus, fungos e bactérias são seres tão minúsculos que, no fundo, não acreditamos na existência deles. Fica um pouco chato, entretanto, manter essa descrença mais de 300 anos depois da descoberta do microscópio.

Quando os ingleses aprenderam a acoplar lentes de aumento e construir microscópios rudimentares, ficaram interessados em enxergar o que era pouco visível: a cabeça dos mosquitos, a boca das abelhas ou os buracos existentes num pedaço de cortiça (de onde surgiu a palavra célula).

Em 1683, na Holanda, Antony van Leeuwenhoek, um dono de armarinho que se distraía montando lentes quando não havia fregueses, focalizou o microscópio para investigar o que nenhum cientista havia procurado. Em vez de usá-lo para magnificar pequenos seres conhecidos, Leeuwenhoek decidiu explorar o invisível: o que haveria no interior de uma gota de chuva?

O que seus olhos viram deixaram-no tão maravilhado, que escreveu uma carta para a Sociedade Real de Londres, a mais importante associação científica daquele tempo: "No ano de 1675, descobri pequenas criaturas na água da chuva colhida numa tina nova pintada de azul por dentro... esses pequenos animais, a meu ver, eram mais de 10 mil vezes menores do que a pulga d´água que se pode enxergar a olho nu..."

Essa demonstração cabal de que em ciência fazer a pergunta certa, às vezes, é mais importante do que buscar respostas, abriu as portas para o mundo das bactérias.

Duzentos anos depois de Antony van Leeuwenhoek, um cientista francês que não era médico, Louis Pasteur, visitou necrotérios para estudar por que tantas mulheres, que davam à luz, morriam de febre após o parto. Nas amostras de sangue e de secreções colhidas no útero dessas mulheres, identificou as pequenas criaturas descritas pelo holandês.

Uma noite, em 1879, numa reunião da Academia de Paris, um obstetra descartou com desprezo a hipótese de que a febre pós-parto fosse provocada por bactérias. Pasteur interrompeu: "A causa dessa doença são os médicos, que levam germes da paciente doente para a sadia".

Mais recentemente, a importância de esfregar as mãos com água e sabão foi bem caracterizada nas unidades de transplante de medula óssea. Nesse tipo de transplante, as defesas imunológicas ficam arrasadas por vários dias e o doente se torna vulnerável aos germes que o cercam.

Quando surgiram as primeiras unidades de transplante nos Estados Unidos, nos anos 80, para entrar no quarto do paciente era preciso colocar luva, gorro, máscara, avental e proteção para os pés. Além disso, de uma das paredes vinha um fluxo de ar contínuo que passava pela cama do doente e saía pela porta permanentemente aberta. Todos os que entravam no quarto eram proibidos de ficar entre a cama e essa parede, para impedir que a corrente de ar levasse os germes do visitante para o doente.

A experiência mostrou que tais medidas eram dispendiosas e descabidas. Hoje, nas unidades de transplante, pode-se chegar com a roupa da rua, mas é obrigatório lavar as mãos ao entrar e sair do quarto do transplantado, não importa o que o visitante tenha ido fazer lá dentro.

Uma medida tão simples como a lavagem das mãos tem grande importância em saúde pública. Por exemplo, se fosse possível convencer todos os que trabalham nos hospitais - principalmente médicos e enfermeiras - de que antes e depois de pegar numa pessoa doente as mãos precisam ser lavadas, estaria decretado o fim das infecções hospitalares. Se conseguíssemos ensinar as mães a tomarem o mesmo cuidado antes de tocar em qualquer coisa que vá à boca do bebê, talvez acabasse a mortalidade por diarréia infantil no país.



Extraido do site: http://www.drauziovarella.com.br/artigos/infeccoes.asp
 
 
 
 
SEQÜÊNCIA DIDÁTICA: LAVAR AS MÃOS - BI



Professoras: Francilene Pereira de Lima

Márcia Aloisia Ribeiro Cavallari


Processo: Durante o ano todo


Turma: BI


Objetivos:

Estreitar os vínculos afetivos entre criança e educador.;

Propiciar experiência de aprendizagem de lavar as mãos;

O que as crianças podem aprender;


Perceber as mãos;
Contato prazeroso com a água

Seqüência Didática


Na reunião de pais e mestres explicar como se dará o processo;

No momento do banho aproveitar para auxiliar a criança a ensaboar e esfregar as próprias mãos, nomeando-as assim como as demais ações. Secá-las com toalhinhas de mão individuais.

Quando a criança adquirir equilíbrio do próprio corpo, colocá-la sentada no trocador ainda com apoio do braço do educador e colocar sabonete líquido em suas mãos, estimulando para que as esfregue sozinha.

E após esse procedimento o professor deverá auxilia e enxágua as mãos da criança com auxilio do chuveirinho ou outro recipiente.

Estimulando também a secarem as mãos sozinhas.

Quando a criança já consegue ficar em pé, colocá-la em uma cadeira encostada ao trocador ainda utilizando a cuba como pia, caso a arquitetura da instituição não dê condições com lavatório adequado a sua faixa etária.

Colocar o sabonete líquido e deixar que ensaboem, enxágüem e sequem as mãos com mais autonomia. Sempre com supervisão do educador.

Assim que o educador perceber que a maioria das crianças se apropriaram das orientações para lavar as mãos antes e após as refeições, a utilização do banheiro ou em outras atividades em que as mãos ficam sujas, poderá iniciar o uso do lavatório, lembrando que o mesmo deve ser adequado a faixa etária.

Nessa fase do procedimento o educador terá o papel de orientar e mediar a aprendizagem, proporcionando oportunidade conquistar sua autonomia total.

Dependendo do desenvolvimento psicomotor o educador estimulará e auxiliará a criança a apropriar-se de retirar os seus pertences da “necesserie” e guardá-la na sua mochila.


http://paraalmdocuidar-educaoinfantil.blogspot.com/2008/10/seqncia-didtica-lavar-as-mos-bi.html

Um comentário:

  1. Boa tarde, gostaria de entender, no parágrafo "Duzentos anos depois...Louis Pasteur visitou necrotérios...", pelo que sei foi Semmelweis quem descobriu sobre a febre puerperal, que era uma infecção através das mãos sujas de médicos e alunos, pois eles mexiam em cadáveres e não lavavam as mãos e depois tocavam nas grávidas, e com isso surgia infecção que causava de morte, tanto das grávidas quanto dos bebês. Ele descobriu que a falta de higienização das mãos transmitiam infecções. Por favor me expliquem o que Pasteur tem a ver com isto? Pasteur descobriu o processo de pasteurização, que existiam microorganismos.Esta descoberta foi essencial para a Biogênese.No mais Obrigada pela atenção, espero resposta.Se quiserem mais informações e história é só acessar o site:http://www.ccih.med.br/semmelweis.html de D

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