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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Bolsas de estudo de mestrado e doutorado permitem que profissionais deixem o mercado de trabalho para viver de estudar

Eles são pagos para se dedicar aos estudos


Bolsas de estudo de mestrado e doutorado permitem que profissionais deixem o mercado de trabalho para viver de estudar

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo


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No começo de 2008, a professora Tatiana Calsavara teve dois grandes êxitos profissionais. Passou em um concurso municipal para se tornar docente efetiva e ganhou uma bolsa para fazer um doutorado em Educação na Universidade de São Paulo (USP). O problema é que, por contrato, só poderia aceitar um dos dois. Depois de analisar as possibilidades, optou pelo que geraria mais renda: estudar. Com o aumento dos valores e do número de bolsas de pós-graduação, histórias assim tornam-se cada vez mais comuns.

Tatiana preferiu bolsa de doutorado na USP a emprego, de olho em renda futura

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Cietífico e Tecnológico (CNPq) criou para 2011 mais 2 mil bolsas de mestrado e doutorado, elevando o total distribuído em todo o País para 21,7 mil. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informa que beneficia cerca de 50 mil pós-graduandos por ano com auxílio mensal. São Paulo conta também com 6 mil bolsas para pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Embora ainda longe da média dos salários da maioria dos profissionais com ensino superior, as bolsas de estudo hoje vão de R$ 1.200 para mestrado a R$ 5 mil para o pós-doutorado (veja tabela por agência financiadora abaixo) o que já torna possível viver de estudar. “É apertado, mas compensa”, explica Tatiana, que fez a escolha de olho no futuro. “Depois disso, vou poder me inscrever em concursos para professor de universidade pública, o que garante uma renda bem maior do que dando aula no ensino básico.”

Tatiana recebe da Fapesp R$ 2,5 mil mensais. O contrato é de três anos ou até o final de seu doutorado sobre educadores anarquistas previsto para 2012. Quando pensa em dinheiro, ela soma ao valor as vantagens que a vida acadêmica traz. Na USP, faz esporte e aulas de francês de graça e conseguiu vaga para a filha de seis anos na creche da instituição. “Venho para cá no horário da entrada dela, às 8h, passo o dia envolvida com minha pesquisa ou atividades relacionadas e só saio às 16h15 em tempo de buscá-la”, conta.



Valores das Bolsas Capes CNPq Fapesp

Mestrado R$ 1.200 R$ 1.200 R$ 1.392 a  R$ 1.478*

Doutorado R$ 1.800 R$ 1.800 R$ 2.053 a R$ 2541*

Pós-doutorado R$ 3.300 R$ 3.200 a R$ 4.000* R$ 5.024

* valores variam conforme experiência do aluno


Computador, livros e viagens

A bolsa é para o sustento do pós-graduando. Outros custos de estudo dos bolsistas são cobertos por uma reserva técnica. A Fapesp paga este adicional diretamente ao estudante ao longo do curso. Tatiana, por exemplo, já recebeu algumas parcelas em conta corrente e usou para viajar ao México e à Fortaleza (CE) pela universidade, comprar livros e um notebook. “A única exigência é que tudo seja doado à instituição ao final da pesquisa”, diz.

O CNPq e a Capes deixam a verba à disposição do orientador dos estudantes, que deve administrar o dinheiro para um grupo. Flavia Alves de Souza, também doutoranda da Faculdade de Educação da USP, mas com bolsa do Conselho Nacional, conta que tem apenas parte dos gastos com congressos e livros pagos. “Isso depende de quantos interessados há em cada evento, nós fazemos o pedido e, às vezes, a cobertura financeira é total, em outras parcial”, explica.

A pedagoga recebe para estudar desde a graduação na Universidade Estadual do Ceará. Depois do mestrado, conseguiu um emprego como formadora de professores, mas logo quis voltar à pesquisa. “Me inscrevi para o doutorado na USP e, assim que passei, me desliguei do trabalho, mas fiquei quase um ano sem renda até conseguir a bolsa”, lembra.

Cada instituição credenciada pelas agências tem uma cota de bolsas. Quando uma faculdade distribui todas, precisa esperar que um aluno conclua seus estudos para solicitar novos benefícios. “Eu fiquei na fila por um tempo, é o tipo de coisa que dificulta para quem depende 100% disso”, conta Flávia.


Regras mudaram em 2010

Via de regra, bolsistas não podem ter vínculo empregatício. A intenção é que o estudante se dedique totalmente à pesquisa. Em 2010, no entanto, os dois órgãos financiadores nacionais publicaram portaria que flexibiliza o trabalho paralelo. Passaram a ser aceitos empregos ou colaborações que estejam relacionados ao estudo, o que em geral significa dar aulas.


Juliana Dominguez foi uma das primeiras a conseguir bolsa e manter vínculo empregatício

A socióloga Juliana Arantes Dominguez, doutoranda em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi uma das primeiras a aproveitar a mudança. Natural de Jundiaí, no interior do Estado de São Paulo, ela conta que sempre precisou trabalhar para pagar os estudos. Durante a graduação, manteve um emprego. Para o mestrado, foi morar em uma república com seis amigas. Depois, conseguiu um trabalho como coordenadora de projetos sociais, mas não queria se afastar da academia.

Em 2010, ela prestou a prova para o doutorado e, sabendo que uma bolsa seria insuficiente para manter seu custo de vida, decidiu não solicitar o benefício e continuar trabalhando. “Como a ideia sempre foi continuar estudando, arrumei trabalhos como professora tanto universitária quanto de ensino médio”, conta. Quando a legislação mudou, em junho, ela imediatamente conversou com a orientadora sobre acumular trabalho e estudo. Acabou ficando com as aulas no ensino médio e uma bolsa da Capes.

“Acho que quando é possível só estudar, melhor. Isso vale principalmente em casos como o meu que tenho a graduação em uma área e faço doutorado em outra. Estou aprendendo muita coisa nova”, diz, contando que sua rotina inclui aulas três vezes por semana além de cerca de quatro horas diárias de leitura individual.


Para Juliana, as bolsas são uma grande oportunidade para quem enxerga nos estudos uma forma de se se tornar mais competitivo. “As bolsas não são competitivas com o mercado de trabalho, mas nos dão uma chance de se diferenciar nele.”


Como se candidatar a uma bolsa?



As agências de fomento à pesquisa distribuem as bolsas entre as instituições, conforme o conceito e o número de alunos de cada programa. A cada ano, também há uma revisão das áreas que receberão maior investimento conforme a demanda.

A solicitação de bolsas é feita pelo orientador ou o departamento. É possível solicitar antes do início das aulas, mas apenas após a devida aprovação do projeto pela instituição.


VEJA A AVALIAÇÃO DA CAPES DE TODO OS MESTRADOS E DOUTORADOS DO PAÍS

ALGUMAS PROPOSTAS PARA EDUCAÇÃO EM 2011

Mateus Prado


Educador analisa o Enem, os vestibulares e o ensino brasileiroAlgumas propostas para a Educação em 2011

Balanço de 2010 mostra o que esperar - ou reivindicar - no ano que começa

Ano novo, governo novo, ministro antigo. Apesar dos erros no novo Enem, Fernando Haddad, professor de Sociologia da USP (Universidade de São Paulo) vai continuar à frente do Ministério da Educação. Haddad realmente avançou em sua gestão no MEC, o que é reconhecido por educadores de várias colorações político-ideológicas. A resistência que havia ao seu nome estava concentrada em parte dos parlamentares do PT que desejavam um Ministro que fizesse mais "política" - claro, da forma que estes parlamentares entendem o que é política - e a parcela da sociedade que teve que se submeter às últimas provas do ENEM.

Deixo, para este começo de ano e de governo, algumas propostas para a Educação. Claro que não são todas possíveis e nem definitivas. São apenas temas para aprimorarmos o debate. Tivemos esta oportunidade, a do debate, no processo eleitoral, mas esta campanha foi marcada pelo "não debate". Apesar de o processo eleitoral de 2010 ter exigido que os candidatos apresentassem programas de governo no ato do registro da candidatura, os dois presidenciáveis que disputaram o segundo turno apenas “fingiram” ter entregue suas propostas. Dilma enviou ao TSE um documento e, em seguida, o trocou por outro, menor e mais ameno. Serra encaminhou a cópia de dois discursos.

A falta de projeto se repetiu nos debates eleitorais e na propaganda da TV, causando a desconfiança de que os dois maiores partidos do Brasil não tinham projeto para o País. Protagonizam, como já dito, uma eleição do “não-debate”.

Na área de educação, não foi diferente. Apesar de todos terem repetido que iriam priorizá-la, melhorar a qualidade de ensino, aumentar o número de vagas e valorizar o professor, o fizeram de forma genérica, sem comprometimento e poucas vezes indicando como cada ação seria viabilizada. Falaram para a platéia, à espera de palmas, e de votos. A valorização do professor só entrou de fato na pauta depois da eleição, com a apresentação, pelo próprio Haddad, do Plano Nacional de Educação.

Um exemplo da pobreza do debate foi a questão do ensino profissionalizante, o tema relacionado à Educação, ou ao Ensino, mais abordado pelos candidatos. Serra e Dilma defenderam, sempre que possível, uma significativa ampliação do ensino técnico e tecnológico. Nas disputas estaduais foi a mesma coisa.

Há alguns anos, discutia-se qual seria a função da educação. Preparar os alunos, na escola pública, para a vida em sociedade ou para o mundo do trabalho? Em geral, educadores de esquerda defendiam uma educação direcionada para a vida em sociedade, e professores adeptos ao neoliberalismo defendiam um ensino que preparasse os alunos para ocupar uma posição no mercado de trabalho.

Nas eleições brasileiras, parece que, da pior forma possível, a dicotomia foi resolvida. Não vimos candidatos defenderem a educação como um valor em si. Em 2010, os dois defenderam uma educação que há pouco tempo qualquer educador progressista condenaria. E fizeram isso por saber que a população mais pobre e parte da classe media vê a educação profissionalizante como forma de ascensão social, o que é uma perversidade.

A educação profissionalizante não tem condições, por si só, de gerar empregos. Sem mudar a macroeconomia, os empregos serão os mesmos. Pouquíssimas empresas deixaram de investir no Brasil por falta de mão de obra qualificada. No ABC paulista, a expansão de cursos profissionalizantes do SENAI acabou por colocar no mercado mais mão de obra do que a demanda, provocando a queda nos valores médios dos salários. O Programa Primeiro Emprego, do governo federal, dava um curso de qualificação, mas encaminhou apenas uma pequena parte de seus alunos, de fato, para o primeiro emprego, sendo que as vagas que ocuparam, várias delas em franquias de restaurantes de comida rápida, já existiam mesmo sem o programa.

E essa prática impede que a pessoa voe mais longe. Um aluno advindo do ensino público que faz um curso técnico e conquista um emprego que paga R$ 2.500,00 por mês tende a se dedicar a aquela carreira. Ele dificilmente tentará ser advogado, administrador, médico ou ter outra profissão que possa lhe dar uma renda maior. Nada contra o ensino técnico, mas ele não pode ser a única opção para o jovem, e muito menos a única opção de ensino público de qualidade.


Enquanto isso, temas ligados à educação, que deveriam ser discutidos nestas eleições, foram deixados de lado. A sociedade ficou sem saber o que pensavam os candidatos e o que se podia esperar deles. O resultado é que até hoje não sabemos o que pensa sobre Educação, de fato, a presidente Dilma.

Financiamento da Educação

O FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) foi uma conquista. Hoje ele pega parte da arrecadação dos estados e municípios e redistribui as receitas conforme o número de alunos matriculados, na educação básica, em cada estado ou município. Mas ainda é preciso avançar. A participação do governo federal no fundo precisa ser ampliada. Os recursos para as Universidades Federais precisam ser vinculados. Em São Paulo, por exemplo, 9,57% do valor arrecadado com o ICMS vai direto para os caixas das Universidades Públicas do estado. Poderíamos garantir, na constituição, que parte das receitas geradas pelo Pré-Sal fossem direto para a Educação. Um percentual mínimo do PIB a ser investido em Educação é uma coisa interessante. Plínio, o candidato que trouxe alguma emoção para os debates do primeiro turno, propunha 10%. Marina Silva, que venceu perdendo, defendia 7%. Hoje gastamos cerca de 5%.



Ensino básico

Os currículos do ensino básico precisam ser menores e deixar espaço para a inclusão de questões ligadas à região que moram os alunos. Os gestores de educação locais precisam deixar de cumprir o papel de simples executores das políticas e passar a influenciá-las e, até mesmo, formulá-las. Em geral, alunos de licenciatura de Universidade Federais se formam e passam a trabalhar em escolas privadas. Que tal todo aluno de licenciatura que fizer faculdade pública ter que dedicar parte da carreira ao serviço público?



Educação infantil

A educação infantil precisa cumprir sua obrigação constitucional. O direito de uma vaga é garantido a todo cidadão, mas muitos só vão conseguí-la se apelarem para a Justiça. O governo federal precisa facilitar o acesso e garantir o financiamento para os municípios.



Ensino Médio

O Ensino Médio precisa ser reformado. Hoje ele é chato e desinteressante. A maior parte de seus conteúdos não tem função nenhuma. Precisamos romper com a ditadura do livro didático e das apostilas. Eles engessam o trabalho dos professores e não contribuem para a formação de um aluno cidadão e autônomo, que goste de conhecer, saiba resolver problemas, tenha capacidade de fazer um projeto de vida e defender suas posições e atue, na sociedade, de forma eticamente responsável.



Ensino Superior

O acesso ao Ensino Superior público precisa ser repensado. Se esta escola não consegue ser para todos, ela precisa, no mínimo, cumprir a função de fomentar a pesquisa para o desenvolvimento humano e econômico do país. Para tanto, precisa receber os melhores talentos do Brasil. Da forma que seleciona, isso não ocorre. O vestibular atrai os que se adaptaram à nossa escola atrasada e os que respondem bem a testes de alternativas.

As universidades federais precisam continuar ampliando o número de vagas, mas o Estado não pode permitir que os novos cursos e vagas e as novas universidades tenham qualidade inferior ao tradicional Ensino Público Superior. Não pode um curso, só por estar em uma cidade média ou pequena, contar com “cuspe e giz” e mais nada. Além disso, precisamos ter um número de alunos por professor no mínimo razoável. Hoje, o número de alunos por professor, nas escolas públicas de ensino superior, é muito pequeno.

Na ampliação do Ensino Superior precisamos incluir os cursos mais tradicionais, aqueles que hoje os vestibulares apresentam maior concorrência. Hoje as Federais, e o próprio governo, não fala muito disto. Alguns fogem do debate por acreditar que criar mais destes cursos, como é o caso de Medicina, influenciaria a qualidade. Pura besteira. Mais cursos formariam mais professores e a ampliação da arrecadação e dos investimentos na Educação poderiam garantir estrutura para novas vagas. Outros não discutem simplesmente por que gostam muito deste sistema de seleção, que exclui muitos daqueles que poderiam ser ótimos médicos, engenheiros, advogados, entre outros, e beneficia as Universidades Particulares.

Podemos ir um pouco além. Que tal, conforme propus para as licenciaturas, que os médicos formados pelas Federais tenham que passar o início da carreira no serviço público? Hoje, boa parte dos que ingressam em Medicina só passam pelos postos de saúde da periferia ou das pequenas cidades no início da carreira. Na primeira oportunidade, pulam fora. São vários os casos de lugares que não encontram médicos dispostos a trabalhar no Programa Saúde da Família. Arrisco a dizer que, se não aumentarmos o número de vagas em algumas carreiras, como Medicina e Engenharia, teremos um grande gargalo no nosso crescimento econômico, tal como foi o apagão da década de 90 (nossa produção de energia foi menor que a demanda, o que impediu maior crescimento do PIB).


O acesso ao crédito (FIES) e a cessão de bolsas (PROUNI), pelo governo, para um aluno estudar em uma escola superior privada precisam também ser amplamente discutidos. O melhor é financiarmos instituições particulares ou ampliarmos vagas em nossas federais? Se continuarmos no caminho do FIES e do PROUNI, precisamos exigir, com mais veemência ainda, qualidade destas Instituições Privadas.


O ENEM deve continuar ou não seu caminho de substituir os vestibulares? Se continuar, que é o que deve acontecer, é fundamental tomar providências para que sua capacidade de induzir mudanças no Ensino Médio, incluindo o desenvolvimento de eixos cognitivos e competências, em contraposição ao ultrapassado ensino conteudista, seja otimizado. Não seria o caso de o MEC ter um programa de capacitação de professores do Ensino Médio, para que eles se adaptem ao modelo de exame?

Novas tecnologias

As novas tecnologias são fundamentais para o processo educativo. O acesso à Internet para todos é o mínimo que o governo precisa garantir. Lembro que a Finlândia colocou na sua constituição o direito à internet de um mega para seus cidadãos. No Brasil, nove bilhões de reais do FUST (Fundo de Universalização dos Sistemas de Telecomunicações) repousam nos cofres do governo. Este dinheiro é descontado/cobrado, todo mês, desde 2001, nas contas de telefones de todo brasileiro e até hoje não foi usado para nada. Seriam suficientes para universalizar o acesso à internet em banda larga.

Estes são alguns dos temas, em educação, que deveriam entrar na pauta nacional. A eleição não cuidou disto, mas a sociedade pode, e deve, entrar no debate. Alguns temas, como a valorização do professor, a relação com as Universidades Estaduais, as cotas sociais e as propostas para a melhoria do ENEM, entre outros, deixo para discutirmos em artigos específicos.


http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/algumas+propostas+para+a+educacao+em+2011/c1237909097673.html


ALFABETO DA TURMA DO SÍTIO DO PICA PAU AMARELO

COLABORAÇÃO DO BLOG ESPAÇO EDUCAR
















Reportagem sobre inclusão

Colaboração do Blog Meus trabalhos pedagógicos, atividades e projetos na Educação Infantil






Desenhos dos personagens do síto



link para baixar 50 desenhos


colaboração do Blog Espaço Educar .

Quem foi Monteiro Lobato?

MONTEIRO LOBATO





Um homem movido a paixões: Paixão pelas crianças, paixão pelo Brasil, paixão pela comunicação.



"A Lobato deve muito o Brasil. Em primeiro lugar o exemplo magnífico e raro do intelectual que não se vende e não se aluga, não se coloca a serviço dos poderosos ou dos sabidos. Depois, foi ele um homem de ação e um descobridor. Devem-se a ele a campanha do livro e a campanha do petróleo. Foi ele o criador da nossa literatura infantil"

(Oswald de Andrade)



"Monteiro Lobato pertencia a essa rara família de profetas e poetas, que condensam, de súbito, para um momento e um povo, a sua própria essência espiritual."

(Anísio Teixeira)

Fonte do texto:

http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/monteirolobato/index.html

Se Lobato estivesse vivo seria um grande interneteiro. Estaria aproveitando ao máximo a interatividade, a possibilidade de diálogo, a capacidade de reunir gente oferecida pela rede mundial. Monteiro Lobato não podia viver sem estar se comunicando com as pessoas, principalmente com as crianças. Sua obras incitam ao diálogo e à busca de parceiros para as brincadeiras. Quando escrevia em jornais, fazia questionários e pedia a opinião de seus leitores. Mais da metade de seus livros Monteiro Lobato escreveu para o público infanto juvenil, com a intenção de ajudar na formação intelectual e moral da nossa juventude. Há pelo menos três gerações de brasileiros que se desenvolveram sob a influência de suas obras e de seu pensamento.

A outra parte de sua obra é basicamente política, como política era também sua militância intensa como jornalista e editor. Era política porque mostrava sua grande preocupação com a situação de nosso povo e seu engajamento nas lutas por mudanças na sociedade brasileira. Consequência dessa luta sofreu as agruras das prisões e da perseguição.

Toda sua vida e seu trabalho estiveram dedicados à luta pela preservação dos valores culturais e das riquezas naturais da Nação. Foi pioneiro na luta pela preservação de nossas florestas, de nossos índios e de nossos bichos.

AUTOBIOGRAFIA:

Nasceu em Taubaté, aos 18 de abril de ... 1884 (na verdade 1882). Mamou até 87. Falou tarde, e ouviu pela primeira vez, aos 5 anos, um célebre ditado: "Cavalo pangaré/Mulher que ... em pé/Gente de Taubaté/ Dominus libera mé".

Concordou.

Depois, teve caxumba aos 9 anos. Sarampo aos 10. Tosse comprida aos 11. Primeiras espinhas aos 15.

Gostava de livros. Leu o Carlos Magno e os doze pares de França, o Robinson Crusoé, e todo o Júlio Verne.

Metido em colégio, foi um aluno nem bom nem mau - apagado. Tomou bomba em exame de português, dada pelo Freire. Insistiu. Formou-se em Direito, com um simplesmente no 4º ano - merecidíssimo. Foi promotor em Areias, mas não promover coisa nenhuma. Não tinha jeito para a chicana e abandonou o anel de rubi (que nunca usou no dedo, aliás).

Fez-se fazendeiro. Gramou café a 4,200 a arroba e feijão a 4.000 o alqueire.

Convenceu-se a tempo que isso de ser produtor é sinônimo de ser imbecil e mudou de classe. Passou ao paraíso dos intermediários. Fez-se negociante, matriculadíssimo. Começou editando a si próprio e acabou editando aos outros.

Escreveu umas tantas lorotas que se vendem - Urupês, gênero de grande saída, Cidades mortas, Idéias de Jeca Tatu, subprodutos, Problema vital, Negrinha, Narizinho. Pretente publicar ainda um romance sensacional que começa por um tiro:

- Pum! E o infame cai redondamente morto...

Nesse romance introduzirá uma novidade de grande alcance, qual seja, a de suprimir todos os pedaços que o leitor pula.

Particularidades: não faz nem entende de versos, nem tentou o raid a Buenos Aires.

Físico: lindo!

Monteiro Lobato

A Novela Semanal, São Paulo, nº 1, 2 de maio 1921

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Monteiro Lobato foi uma criança diferente dos outros garotos de sua geração. A cara enfiada nos livros e os olhos brilhantes a enxergar para muito além da janela do quarto denunciava uma mente irriquieta e fértil imaginação. Seu espaço preferido era a biblioteca do Visconde, na casa da Rua XV de Novembro em Taubaté, onde passava horas folhando revistas ilustradas e aventurando-se nos clássicos da literatura. Mas nem por isso deixou de participar da vida da fazenda, nem de conviver com a população interiorana, seus costumes e suas crenças.

"A criança é um ser onde a imaginação predomina em absoluto", defendia. "O meio de interessá-la é falar-lhe à imaginação". "Escrever para crianças! - exclamou em resposta a um repórter – é admirável... Elas não têm malícia, aceitam tudo, tudo compreendem ".

Captando a lógica e a estrutura do pensamento infantil, Lobato falava não para elas, mas como e no lugar delas. Por isso, pelas suas mãos o aprendizado virava brincadeira séria e as lições escolares mais difíceis – em geral ministradas através de métodos e mestres antiquados – ficavam claras e acessíveis.

Misturando sonho e realidade, Lobato conquistava os pequenos fãs, que logo passavam a dividir com ele o universo em que tudo era possível – bastava usar um pouco de imaginação. Ingrediente que não faltava nas centenas de cartas remetidas por crianças de todas as idades e de todos os cantos do País.

Recebia montanhas de cartas e respondia a todas, tratando as crianças como interlocutores competentes. Não se esquivava de discutir temas como saúde, religião ou política. Além disso estimulava a atividade literária dos seus leitores, encorajando-os a desenvolver enredos e histórias, ou analisando criticamente sua produção.

De 1920 a 1947 lançou 22 títulos que até hoje continuam a ser editados:

Ficção

• Reinações de Narizinho

• Viagem ao Céu

• O Saci

• As Caçadas de Pedrinho

• Memórias de Emília

• O Poço do Visconde

• O Picapau Amarelo

• A Reforma da Natureza

• O Minotauro

• A Chave do Tamanho

• Os 12 Trabalhos de Hércules

Clique aqui para ler um

resumo dos livros

Paradidáticos

• História do Mundo para Crianças

• Emília no País da Gramática

• Aritmética da Emília

• Geografia de Dona Benta

• Serões de Dona Benta

• História das Invenções

Adaptações

• Hans Staden

• Peter Pan

• Don Quixote das Crianças

• Histórias de Tia Nastácia

• Fábulas





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Toda obra literária de Monteiro Lobato tem uma forte conotação política. Mesmo naquelas de pura fábula, é política a intenção e a motivação do autor. Como jornalista e como editor todo seu trabalho foi pautado por sua vocação político-libertária. Sem filiar-se oficialmente a organizações ou partidos políticos, Lobato sempre esteve presente nos debates sobre os problemas nacionais e nunca deixou de opinar sobre os assuntos que afetavam a vida do País.

Sua idéia de Brasil nação instiga seu inconformismo com o desenraizamento cultural. Ataca os modismos importados que nada têm a ver com a realidade e propugna pelo resgate do elemento nativo brasileiro de rica tradição. Nessa mesma linha denuncia a agressão que se faz ao nosso idioma adotando vocábulos estrangeiros por simples espírito de imitação.

Para Lobato, o atraso do país só seria superado pelo trabalho racional e aposta na modernização. Sua luta pela adoção de processo científicos em todos os níveis da atividade humana encontrou a síntese em Henry Ford que ele traduz em seu personagem Mr. Slang, que rebate as críticas dos céticos que culpam a índole do povo pelo atraso do país.

Ferro e petróleo

Certo de que transformaria seu país em uma nação produtiva, eficiente e rica, Monteiro Lobato abandona temporariamente a literatura e a atividade de editor e livreiro, a que se havia dedicado consciente da importância do poder da comunicação, para vivenciar experiências no mundo da indústria e dos negócios.

"O solo, a superfície, apenas permite a subsistência. O enriquecimento vem de baixo. Vem do subsolo". Entretanto, não bastava explorar as riquezas. Era preciso que o país usufruísse delas. Trabalha para iniciar a produção do ferro com metodologia moderna recém patenteada nos Estados Unidos, utilizando recursos naturais disponíveis no País, tais como a palha do café e o xisto betuminoso.

No dia 20 de março de 1941 é preso subitamente em São Paulo, segundo a agência norte-americana Overseas News Agency, "vítima de intensa campanha de militares brasileiros e outros elementos pró-nazismo, que combatem os elementos democráticos e anglófilos do país".

Impedido de receber visitas, conversar com outros detentos ou tomar sol no pátio, conta em carta a Purezinha, sua esposa, a vida em prisão. "É a gente sozinho com o pensamento, e nunca o pensamento trabalha tanto. Mas de tanto trabalhar acaba girando num círculo". (Leia a íntegra desta carta). Última peça do inquérito policial, o relatório encerrado em 1º de fevereiro, salienta que "ficou provado à saciedade que o dr. José Bento Monteiro Lobato ... procura com notável persistência desmoralizar o Conselho Nacional do Petróleo, sem contudo apresentar qualquer prova de suas acusações ".

Em 1950, inspirados no exemplo de Monteiro Lobato, os partidos políticos de esquerda e os movimentos sociais lançam a campanha de rua em defesa do Petróleo. A campanha "O Petróleo é nosso", empolga o país e servirá de pretexto para que o Congresso Nacional aprove a legislação sobre o Petróleo que, na última hora, recebeu uma emenda que criou o monopólio da Petrobrás.

Monteiro Lobato nunca escondeu sua paixão pela pintura. Se não lhe foi possível seguir a carreira de artista plástico, tampouco deu para abafar o impulso criativo que despontou à frente da vocação literária, antecedendo, inclusive, o domínio da própria linguagem.

Desistindo de uma arte, caiu nos braços de outra. Fez-se escritor, em uma transposição vocacional que se reflete por toda sua obra.

Quando ponderava sobre sua vocação artística, Lobato admitia uma espécie de saudade do que poderia ter sido, se houvesse optado pela pintura. "No fundo não sou literato, sou pintor. Nasci pintor, mas como nunca peguei nos pincéis a sério ... arranjei este derivativo de literatura, e nada mais tenho feito senão pintar com palavras. Minha impressão dominante é puramente visual".

Vida e obra de Monteiro Lobato

1882 – 1948

Nesta cronologia estão registrados fatos relevantes da trajetória de Monteiro Lobato - ao lado de eventos ocorridos no Brasil e no mundo - entre 1882 e 1948. As citações entre aspas, salvo quando indicada outra fonte, referem-se às cartas de Lobato para o amigo Godofredo Rangel, seu correspondente por mais de 40 anos, compiladas em A barca de Gleyre. Para facilitar a consulta, os fatos foram aglutinados por períodos. Na tabela abaixo escolhe a fase da vida de Lobato que quer conhecer.

1882 – 1904:

PRIMEIRAS LETRAS E ESTUDANTE DE DIREITO

1905 – 1910:

DE VOLTA AO VALE DO PARAÍBA

1911 – 1917:

FAZENDEIRO E JORNALISTA


1918 – 1925:

LOBATO EDITOR. NASCE O AUTOR INFANTIL

1925 – 1927:

MUDANÇA PARA O RIO DE JANEIRO

1927 – 1931:

ADIDO COMERCIAL EM NOVA IORQUE


1931 – 1939:

FERRO E PETRÓLEO PARA O BRASIL

1940 – 1945:

SOB A MIRA DA DITADURA

1945 – 1948:

OS ÚLTIMOS TEMPOS



Para ver o texto completo, visite o site:


http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/monteirolobato/index.html


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como manter todos na escola


É fácil culpar o aluno pelo abandono, mas o desafio de diminuir os índices de evasão exige que a escola repense suas práticas cotidianas


Texto
Rodrigo Ratier



Nenhum a menos: para atrair, a escola deve ser um local de acolhida e de aprendizado

Imagine por um instante o momento mais agudo da aula mais difícil. Meia dúzia de alunos dormem nas últimas fileiras. Um trio troca mensagens de celular. Dois meninos se estapeiam. Uma turma discute sobre futebol. Nas primeiras carteiras, só um pequeno e compassivo grupo se esforça para prestar atenção naquilo que você, aos berros, tenta dizer. Nessas horas, um pensamento emerge: "Gostaria de ensinar apenas para os que querem aprender. Quem não está a fim que saia. Será melhor assim!"

Não será. O desafio de ser professor exige educar todos, sem exceção. O Brasil, por enquanto, está perdendo essa batalha. É verdade que os índices de acesso à Educação avançaram nas últimas três décadas (97,6% das crianças e dos adolescentes entre 7 e 14 anos estão na escola). Mas os indicadores de permanência - a taxa de abandono, que mostra os que não concluíram o ano letivo, e a de evasão, que aponta os que não se matricularam no ano seguinte - não caminharam no mesmo ritmo. Hoje, de cada 100 estudantes que ingressam no Ensino Fundamental, apenas 36 concluem o Ensino Médio.

http://educarparacrescer.abril.com.br/gestao-escolar/evasao-escolar-561347.shtml